Mulheres de 50 a 59 anos são maioria entre professores afastados por problemas de saúde na região de Piracicaba
07/02/2026
(Foto: Reprodução) Região de Campinas tem 850 afastamentos de professores por liçenca médica
As cidades que integram a região de Piracicaba (SP) registraram 396 afastamentos de professores por problemas de saúde em 2025. Mulheres de 50 a 59 anos, que atuam como docentes efetivas na educação básica II, são maioria entre os profissionais que precisaram se ausentar por saúde física ou mental - veja gráficos, abaixo.
Os dados foram fornecidos pela Secretaria de Estado da Educação, obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pela EPTV, afiliada da TV Globo.
Ronaldo Alexandrino, especialista em psicologia e educação pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), informou que os dados mostram a necessidade de maior atenção do Poder Público às demandas da categoria.
"Falar de adoecimento é, também, corresponsabilizar as políticas públicas e, por sua vez, o Estado, que desempenha seu trabalho através das secretarias estaduais e municipais de educação no modo como trata o docente, no modo como organiza a vida funcional desses profissionais", afirmou.
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Dados 🧮
Faixa etária de professores afastados por problemas de saúde na região de Piracicaba
Mulheres são a maioria, somando 268 afastamentos. Já os homens chegam a 128.
Do total de afastados no ano passado, 332 atuavam como professores da educação básica II (6º ao 9º), 45 do ensino fundamental e médio e 9 eram da educação básica I (1º ao 5º). Quanto ao contrato, é informado que:
259 eram efetivos (categoria A);
115 eram estáveis (categoria F);
22 eram temporários (categoria O).
Os dados ainda apontam que 374 profissionais receberam uma licença temporária (001), outros 22 se afastaram por tempo indeterminado (257).
A razão pela qual o professor foi afastado não é informada pelo levantamento.
Afastamentos de professores por cidade da região de Piracicaba
'Olhar diferente pro ser humano'
Em entrevista à emissora, uma docente que atua na rede estadual há 20 anos e está afastada por um transtorno misto de ansiedade e depressão, contou que os dados apresentados são reflexos de uma realidade em que os outros profissionais, o diretor e até os alunos avaliam o professor.
"Alunos contra professores, professores contra professores e professores contra gestores. Se você não se adequar àquilo, àquele perfil que a gestão daquela escola deseja, você está fora. E eu não estou falando de competência. Eu estou falando de afinidade", disse a mulher que preferiu não se identificar.
Segundo relato da mulher, o gestor possuía pouca empatia pelos coordenados que passavam por problemas de saúde mental. "Não chore", foi uma das advertências que a mulher recebeu.
"Muitas vezes eu me escondi em algum lugarzinho para chorar", relatou.
Professora afastada por problemas de saúde na região de Campinas
Reprodução/EPTV
A reportagem também entrevistou outra professora, que pediu para não ser identificada. Ela, que se afastou várias vezes em 2025 por problemas no pulmão, revelou que o desempenho dos profissionais é avaliado pela Secretaria da Educação e, por isso, eles têm medo de serem afastados.
"Eu acabei trabalhando doente, com crise de asma. Tinha meses que eu tinha uma crise recorrente e então, eu não podia pegar licença, uma em cima da outra, porque acabava me prejudicando'", contou a docente.
"Precisa ter um olhar diferente para o ser humano. Não é nem para os professores, porque os professores são seres humanos. Eles sofrem, adoecem, em busca de uma coisa melhor para os alunos", completa a primeira entrevistada.
O especialista Ronaldo Alexandrino afirmou que o gestor público deve ouvir os profissionais e, a partir da escuta, desenvolver políticas públicas para solucionar a situação: "Se temos dados que nos mostram que o adoecimento docente é um fato, precisamos olhar para ele, encarar ele [isso]".
"O diálogo é a forma que a gente resolve. A gente precisa olhar para aquela pessoa que está em sofrimento e perguntar para ela o que ocasiona esse sofrimento", concluiu o especialista.
Reunião com os professores durante o processo de avaliação
Geoparque Chapada dos Guimarães
O que diz a Secretaria de Educação do estado de São Paulo?
Em nota, a Secretaria informou que acompanha os afastamentos para planejar ações de prevenção e cuidado, com atenção à saúde mental dos professores. Também se comprometeu a fortalecer políticas de acolhimento, escuta e prevenção.
A pasta destacou a criação, em 2024, de um serviço de teleatendimento, que até janeiro de 2025 registrou 875 mil atendimentos em psicologia e 52 mil em psiquiatria.
O órgão atribui os afastamentos às transformações vividas pela categoria após a pandemia, às novas tecnologias e às demandas sociais e pedagógicas.
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