Vereadores de Campo Grande pedem abertura de CPI do Tapa-Buraco para apurar suspeitas de irregularidades

  • 16/10/2026
(Foto: Reprodução)
Chuva e buracos deixam fila de carros com pneus estourados em avenida de Campo Grande Os vereadores de Campo Grande protocolaram, na tarde desta sexta-feira (16), um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tapa-Buraco para investigar os serviços de recuperação do asfalto na capital. A petição, assinada por 24 parlamentares, foi encaminhada à Procuradoria da Câmara Municipal, que vai analisar o documento. O requerimento deverá ser votado oficialmente na próxima sessão. Caso seja aprovado, a CPI será instalada. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A proposta prevê um período de 120 dias para apurar as suspeitas de irregularidades e corrupção na manutenção das vias. O pedido foi motivado pela deterioração das vias públicas de Campo Grande e por denúncias de falhas na execução dos serviços de tapa-buraco, além de suspeitas de irregularidades nos contratos relacionados à manutenção do asfalto durante a administração da prefeita Adriane Lopes (PP). A principal contradição apontada no requerimento é a redução expressiva dos recursos destinados ao projeto de Modernização e Requalificação das Vias Urbanas. De acordo com as Leis Orçamentárias Anuais, a verba prevista caiu de mais de R$ 132 milhões, em 2025, para pouco mais de R$ 40 milhões, em 2026, o que representa uma redução de quase 70% na dotação orçamentária do setor. Parlamentares que pedem a abertura da CPI. Divulgação. Paralelamente à redução dos recursos, a população tem enfrentado prejuízos financeiros, atrasos em compromissos e riscos de acidentes, segundo os vereadores. Entre os exemplos citados no requerimento estão moradores de bairros como Jardim Aero Rancho, Vila Planalto e Jardim TV Morena, que passaram a tapar crateras por conta própria, utilizando pedras, terra e entulho. Operação “Buraco Sem Fim” e investigações do Ministério Público A justificativa para a abertura da CPI também inclui suspeitas de corrupção e desvio de recursos públicos. Conforme o requerimento, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga 12 ações de improbidade administrativa e uma ação criminal sob segredo de Justiça relacionadas aos contratos de manutenção viária. As apurações apontam suspeitas de fraudes na medição dos serviços, com pagamentos por obras que não teriam sido executadas ou que teriam sido realizadas apenas parcialmente. No âmbito dessas investigações, a Operação “Buraco Sem Fim” resultou na prisão do coordenador das ações de tapa-buracos da capital, Edvaldo Aquino, além de outros suspeitos. O requerimento dos vereadores também questiona a subutilização da usina de pavimentação asfáltica do Consórcio Intermunicipal CENTRAL MS. A estrutura tem capacidade para produzir 120 toneladas por hora de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ), material utilizado na pavimentação de vias, com o objetivo de reduzir os custos para os municípios. Segundo os parlamentares, Campo Grande não estaria aproveitando adequadamente a estrutura, apesar de a prefeita Adriane Lopes presidir o consórcio. A situação é apontada no documento como um possível indício de falhas na gestão dos recursos e da infraestrutura disponíveis. Falta de transparência e pedidos da comissão Segundo o requerimento, a fiscalização exercida pelo Legislativo tem enfrentado dificuldades diante da falta de respostas do Executivo. No primeiro semestre de 2026, a Câmara Municipal aprovou um requerimento solicitando informações detalhadas sobre a execução dos serviços de tapa-buracos. No entanto, de acordo com os parlamentares, o prazo legal para resposta terminou sem que a Prefeitura prestasse os esclarecimentos solicitados. No mesmo período, dos mais de 24,6 mil pedidos encaminhados pelos vereadores à administração municipal, quase 9 mil eram relacionados exclusivamente aos serviços de tapa-buracos. Buracos causam prejuízos em Campo Grande Edmar Melo/TV Morena O requerimento pede à Presidência da Câmara a emissão do ato de criação da CPI, que passará por análise da Procuradoria da Casa. Caso seja instaurada, a comissão terá prazo inicial de 120 dias para conduzir as investigações e poderá convocar testemunhas, solicitar documentos e realizar perícias técnicas, respeitadas as competências legais do Legislativo. O presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), comentou a decisão dos parlamentares de apoiar a abertura da comissão. “Hoje tivemos uma deliberação muito longa aqui, todo mundo debatendo, sendo ouvido, podendo falar. Coletivamente, a gente tomou uma decisão. Praticamente todos que estão presentes assinaram a CPI. Os vereadores que estão ausentes também estão se manifestando positivamente”, afirmou. Segundo Papy, a intenção é utilizar a comissão para discutir os problemas relacionados à recuperação do asfalto na capital. “Para que a CPI seja um instrumento da Casa de Leis em favor do povo de Campo Grande, para que a gente debata a respeito do tapa-buracos, os porquês de esse serviço estar sendo tão ineficaz na cidade de Campo Grande”, completou. Veja mais vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/10/16/vereadores-de-campo-grande-pedem-abertura-de-cpi-do-tapa-buraco.ghtml


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